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RANÇO DE PRECONCEITO

Sabem... eu acho que a minha geração era realmente mais preconceituosa, de uma forma geral. As pessoas faziam piadas que magoavam os outros. Mas sinceramente, por outro lado, acho que as gerações mais novas também perderam a noção das coisas. Absolutamente TU-DO é preconceito hoje em dia! Não é a toa que essa nova geração é chamada de "mimizenta", e sim, alguns também fazem mimimi por isso!!!


A questão é que pra tudo nessa vida, o bom senso é a chave de tudo!


A gente tem que rever conceitos, formas de falar, brincadeiras, enfim, tem que estar aberto aos debates e a ouvir a forma como o outro se sente diante de alguma coisa. Mas muitas vezes o preconceito é colocado na conta de quem, no fundo, não teve preconceito algum. E isso é extremamente irritante!


Tem gente que, não importa o que a gente escreva, fale ou desenhe, sempre vai dizer que existe um preconceito em alguma coisa, uma segunda intenção, ou sei lá o que:



Comentários como esse acima sempre existirão!!! Sinceramente, eu acho que pessoas que enxergam preconceito em absolutamente TUDO, precisam se tratar! Pelo amor de Deus!!! E é desse tipo de coisa que eu quero falar hoje, porque recentemente meu filho passou por uma situação bem "desnecessária" na escola, e sinceramente, um tanto quanto exagerada!


A professora de Artes, vira e mexe, passa algum trabalho de releitura de uma pintura famosa! E claro, sendo releitura, e ela sendo professora de adolescentes do 9º ano, ela os incentiva a serem criativos em suas obras. Diz que  não precisam utilizar a mesma técnica empregada na obra original, que podem (e devem!) misturar outras linguagens artísticas, misturar novas cores, elementos da atualidade, coisas que cada um vivencia... Enfim, deixa claro que o  foco principal da releitura é a criação de algo novo, porém mantendo como base a obra que serviu de inspiração.


Ótimo! E bora soltar a criatividade! Adoro essa parte. Mal de família, pois tenho uma irmã artista plástica, e professora aposentada de Educação Artística. Sempre ajudo filhote nos trabalhos (quando são trabalhos de casa), porque gosto muito de artes e qualquer trabalho manual. Então, ouço as ideias, dou sugestões, procuro exemplos...


E o primeiro trabalho desse tipo, que veio pra casa, foi o Abaporu, pintura a óleo da artista brasileira Tarsila do Amaral, uma das mais valorizadas no mercado mundial das artes:



Acima temos a pintura original, e abaixo várias releituras que eu e filhote buscamos na internet e achamos bem legais:


  


A primeira transformou o homem em mulher, colocou uma sandália de flor, enfeitou o braço com pulseiras. Ficou uma graça. A segunda robotizou o Abaporu e todo o cenário e arrasou no futurismo! A terceira é fã de Romero Britto, que nos dias atuais, todo mundo conhece! Tudo colorido ficou lindo! E por último, temos uma releitura que foi aquela que o filhote mais gostou. Daí, como ele é jogador de basquete... desenhou Abaporu de uniforme do Celtics (time que ele torce), com direito a tênis de cano e boné! O cacto se transformou numa base com a cesta e o sol deu espaço a uma bola de basquete, que o Abaporu estaria encestando! PONTO!!!  Ah, sim a professora adorou! E ficou realmente lindo, pena que não fotografei pra mostrar aqui.


Mas hoje quero mostrar a nova releitura do filhote, que seguiu a única recomendação feita pela professora: transformar a pintura de uma mulher qualquer feita pela artista Anita Malfatti, numa mulher negra!


 


A obra original de Anita, se chama: "Moça com Fita Azul", e filhote nomeou a dele "Moça Negra com Fita Vermelha".  Certo de que estava mais uma vez fazendo a coisa certa: alterou a cor da roupa para rosa (que diz ser muito usada pelas meninas), manteve pulseiras e laço para ornamentar (combinando com a cor vermelha), e escreveu na roupa a palavra RANÇO, que hoje em dia é vista nas camisas de várias meninas por aí, e vendem em qualquer esquina, porque são MODA!!! Ranço é a decomposição ou modificação que sofre uma substância gordurosa em contato com o ar, causando um gosto ruim e a um cheiro desagradável, como um mofo. Como gíria, significa nojo ou raiva de algo ou alguém. Comum no dialeto jovem também, e por isso se tornou modinha nas camisas.



Mas... a professora não aceitou o trabalho! Disse que a palavra RANÇO nitidamente foi preconceito do meu filho (branco, loiro e de olhos claros), com a pintura da moça negra do quadro. Ele ainda argumentou sobre a moda, e que claro, não escreveu RANÇO para demonstrar o que ele sente pela negra pintada. Escreveu na camisa dela porque hoje em dia as meninas usam muito camisas com essa palavra, é modinha... e daí achou que a releitura estaria mais "moderninha" também. Foi corroborado pelas amigas negras da sala.


Enfim... nada adianta a gente tentar explicar quando o outro não quer entender. A professora não quis entender, não aceitou, mandou trazer de volta pra casa e fazer alguma coisa que não fosse preconceituosa na camisa!!! Ok, ficou ali uma faixa vermelha, cheia de bolinhas coloridas, para tapar o RANÇO.


Eu achei extremamente louco, sinceramente! Mas, fazer o que...



Não creio muito em "racismo reverso" como na imagem acima, porque acho que o negro ainda "sente na pele" tudo e carrega em si um preconceito inimaginável por nós, privilegiados pela nossa cor. Mas o que está em questão, não é o racismo, é a forma como as vezes julgam o outro, vendo o racismo onde ele não existe, entendem? Me digam vocês, o que acham, de verdade? Exagerado ou não? Eu confesso que tenho RANÇO de quem vê preconceito em tudo... enche o saco, isso sim! Quando eu disse lá no início do texto que tem coisas que é muito mimimi, é de coisas desse tipo que estava falando. Eu não estou falando apenas de brancos e negros. Estou falando no geral. Em todo e qualquer tipo de preconceito. Entendo que o negro sofre as consequências até hoje por algo que aconteceu lá atrás, e que nós, como brancos, muitas vezes não conseguimos enxergar o quão isso ainda os machuca. Mas cutucar uma ferida aberta, também não é uma forma de curá-la. E julgar o outro como sendo preconceituoso e racista, por uma coisa que VOCÊ viu dessa forma, mostra mais o SEU preconceito (muitas vezes não demonstrado, mas ainda incubado no seu inconsciente). É aquele ditado: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”


Eu apenas queria dizer sobre a atitude da professora, que não aceitou o trabalho acusando de preconceituoso, e nem ao menos o argumento, pois nunca viu nenhuma menina com esse tipo de camisa! Oi??? Onde ela vive???


Vai entender...

VOCÊ TAMBÉM TEM PRECONCEITO!

Oi gente linda :)


Hoje vou colocar pra fora um assunto engasgadinho aqui, sabe?


Essa geração depois da minha parece que comeu cocô, sério!!! São alienados, mimizentos, coitadinhos... e enchem o saco com isso! Permanecem na adolescência até 30 anos!!! Pelo amor de Deus, estão sem noção nenhuma, de nada na vida! Claro que a gente não pode generalizar, mas é a maioria, viu?


Já tem um tempo que virou moda ser "minoria". Começa com uma luta, um motivo pra conquistar alguma coisa, e rapidamente, o negócio se alastra como praga, e todo mundo quer tirar vantagem da coisa. Chega a dar vergonha alheia. E aí começa o mimimi pra se fazer de vítima. Não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de fazerem o papel de coitadinhas!


Ergam a cabeça, aceitem a vida, lutem por um sonho. Mas parem de "exigir" que os outros façam por vocês. Parem de ficar choramingando de que não tem oportunidade por causa da cor, da escolaridade, do bairro que mora, da roupa que veste... Porra, esse papinho de preconceito e minoria que não tem oportunidade tá enchendo o saco!


Você pode gostar de usar o cabelo como quiser, mas porra, entenda: alguns empregos não vão querer (E NEM PODER) te empregar e ponto! Trabalhei em hospital por anos, e em todos os cargos que tive e setores que passei, haviam exigências e regras a serem cumpridas: com unhas, com cabelos, com roupa e por aí vai... Em alguns momentos a gente tem que tirar joias, maquiagem... e FODA-SE se eu não gosto de tirar a aliança ou ficar sem make! Outros eu tinha que permanecer com o cabelo num coque, e uma touca, e FODA-SE se eu tinha feito escova!  Dava uma raiva... mas era o meu emprego!


No caso da Yasmin, a menina que participou do programa Encontro com Fátima Bernardes, na última segunda-feira, eu vi o bafafá todo na internet, e claro, fui conferir para poder falar sobre o "meu preconceito". E acabei vendo na reportagem casos de discrimição SIM, mas não com a menina em questão.


Gente, o português dela não era nem de ensino primário. E eu acho bacana ela ter conseguido ter a loja própria, a marca própria, se tornar empreendedora. Porque o fato dela não falar o português corretamente, e ter um linguajar bem periférico, não significa que ela não tenha inteligência. Ela pode ter tino para N coisas na vida, inclusive negócios, e talvez, não tenha tido oportuidade de estudo. Mas daí achar que o dono de um outro estabelecimento, deva acreditar que ela tem essa capacidade, ouvindo-a falar daquele jeito, é outra história. E N-A-D-A tem a ver com a cor da pele ou o cabelo dela! Tem a ver com a impressão que ela causa numa entrevista, falando da forma como ela fala.


Mas me digam com sinceridade, se você fosse o dono ou dona da loja onde a Yasmin foi, e a ouvisse falando como no programa, sendo uma loja que atende público A e B (como ela mesma disse na entrevista), você a contrataria?


Reflitam!

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